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A evolução dos jogos da “família” Fantasy Realms

Ivan Pereira por Ivan Pereira
1 dia atrás
em Blog Nórdico, Board Games, Fala Covileiro!, Reviews
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A evolução dos jogos da “família” Fantasy Realms
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Fantasy Realms: apresentando o jogo original

Um dos meus jogos de cartas favoritos do tipo “não-carteado” é o Fantasy Realms, do designer norte-americano Bruce Glassco (que também é criador do Betrayal at House on the Hill), publicado em 2017 e lançado no Brasil apenas em 2023 pela então Galápagos Jogos, hoje Asmodee. O jogo chegou a ser um dos 3 finalistas do prêmio Kennerspiel des Jahres (Jogo “Expert” do Ano) de 2021. Trata-se de um jogo para 3 a 6 pessoas, de apenas 53 cartas (ou 55 no caso da versão nacional, já que ela traz junto as duas cartas promo existentes: “Fênix” e “Bobo da Corte”).

O funcionamento de Fantasy Realms é simples: distribui-se 7 cartas para cada jogador, e o restante fica disponível em um monte de compras, virado para baixo. Eu seu turno, cada jogador deve comprar uma carta, e em seguida descartar uma das cartas de sua mão virando-a para cima, de modo que ela fique em uma área disponível para todos os participantes visualizarem. A carta que deve ser comprada no início de sua jogada pode ser comprada do topo do baralho de compras, ou ser uma qualquer das viradas para cima da área de descarte.

A partida acaba quando tivemos em aberto dez cartas na tal área de descarte. Quando isto acontecer, o jogo acaba imediatamente, e então os jogadores somam os pontos de todas aquelas que se encontram em suas mãos. O jogador com a mão de maior pontuação vence. Sendo este o critério para o encerramento de Fantasy Realms, note que quando em seu turno você compra a carta do topo do monte, uma nova é colocada em jogo e isso aumentará o número de cartas na área de descarte, deixando a partida uma jogada mais próxima do fim; em contrapartida, se você compra uma carta da área de descarte a partida não avança, pois o número de cartas descartadas ao final do seu turno será o mesmo de quando você iniciou.

E como a pontuação das cartas funciona em Fantasy Realms? Bem, conforme podemos ver no exemplo da imagem abaixo, cada carta possui em canto superior esquerdo um número, que vai de 0 a 40, que representa sua força básica, ou seja, a pontuação inicial. Entretanto, mais abaixo, cada carta possui um texto descrevendo um bônus e/ou uma penalidade, que são alcançadas de acordo com a combinação desta carta com as demais que você possui em mãos.

Portanto supondo que eu tivesse em mãos apenas as 3 cartas acima. Minha pontuação base seria de 9 + 40 + 27 = 76; porém pela carta Montanha, eu ganharia 50 pontos a mais se tivesse também as cartas Fumaça e Incêndio, o que é o caso. A carta Incêndio vale muitos pontos, e por isso ela anula várias cartas, felizmente ela não anula nenhum Clima, nem a carta Montanha em específico. E finalmente, a carta Fumaça seria anulada (valeria zero pontos) se não tivéssemos nenhuma carta do tipo Chama. Mas temos uma, o Incêndio! Portanto nossa pontuação final é de 76 + 50 = 126.

Por que eu amo Fantasy Realms?

Fantasy Realms é um jogo rápido (cada partida demora em média 20 minutos), simples, e que para explicar para alguém como jogar não demora nem 2 minutos (afinal a maior parte das regras são as instruções que estão dentro das próprias cartas).

Mas o que eu mais gosto em Fantasy Realms é que ele principalmente valoriza a habilidade do jogador de constantemente se adaptar e mudar seus planos. A cada nova carta revelada no jogo, ela irá “combar” com as cartas de sua mão de maneira diferente da combinação que você tem no momento. E aí cabe a você decidir se vale a pena mexer no “combo” de cartas atual para ir atrás de uma pontuação maior, ou preservar o que já se tem. Ou ainda, se você vê na área de descarte algum combo de cartas forte já formado (ou quase formado), será que dá tempo de pegá-lo antes que o jogo acabe? Ou que outro jogador o pegue antes?

Entendo porém que a versão base inicial de Fantasy Realms não é para todos os públicos. Apesar das regras simples, ele não é um jogo de entrada. Por exemplo, algumas cartas possuem “regras” que são um bocado extensas, de não tão fácil compreensão. As cartas Miragem e Livro da Transfiguração abaixo são exemplos de cartas que iniciantes costumam ter dúvidas sobre seu funcionamento.

Outro problema é que totalizar os pontos das 7 cartas, ao final do jogo, também não é uma missão tão simples. É verdade que a própria editora gringa do jogo disponibiliza um site que faz o cálculo para você ( https://fantasy-realms.github.io/index.html ), e que também existem apps gratuitos feitos pela comunidade que cumprem a mesma função. Ajuda um bocado.

Mas apesar destes “poréns”, depois de alguma prática com o jogo, Fantasy Realms acaba encantando muitas pessoas do hobby; não à toa, ele é bem vendido mundialmente até hoje.

2021 e 2022: expandindo o universo Fantasy Realms

Em 2021 Fantasy Realms ganhou sua primeira expansão, The Cursed Hoard, contendo 47 cartas. Além de trazer 3 novas facções (os Edifícios, os “Outsiders”, e os Mortos-Vivos), trouxe 24 cartas de “Itens amaldiçoados”, que incluíram uma nova mecânica ao jogo.

Como curiosidade, note a carta Torre do Sino, que mostrei na imagem anterior e é do jogo base. Sua regra é: “+15 com qualquer Mago ou Morto-Vivo”. Oras, não há nenhuma carta da classe Morto-Vivo no jogo original, ou seja, ela foi pensada para ser usada com esta expansão desde o início…

Sobre os “Itens Amaldiçoados”, cada jogador pega aleatoriamente um deles no começo da partida (ver exemplos abaixo) e o coloca visível para todos, ao seu lado. No começo de cada turno, o jogador pode escolher descartar seu item amaldiçoado atual e trocar por outro; ou fazer a ação do item, consumindo-o e guardando o item usado para si, para em seguida já pegar o próximo novo item da pilha, em sua reposição. No final da partida, soma-se à pontuação das cartas normais do jogador a pontuação do item amaldiçoado que se manteve à sua frente, mais a pontuação de todos os itens que ele gastou ao longo do jogo.

Mas foi em 2022 que as coisas ficaram realmente sérias: de uma só vez tivemos o lançamento de Fantasy Realms: Deluxe Edition, e de duas reimplementações do jogo aproveitando de franquias da cultura Pop bastante consagradas, ou seja, Marvel: Remix e Star Trek: Missions.

Evoluindo o produto

Tanto Marvel: Remix quanto Star Trek: Missions são, em termos de jogabilidade, muito parecidos com o Fantasy Realms original. Ambos os jogos, entretanto, adicionaram um fator de complexidade: agora o jogador possui dois montes distintos de cartas para pescar. Em Marvel: Remix há os baralhos “remix” (normal) e o de “vilões”; já em Star Trek: Missions há os baralhos de “galáxia” e de “missões”. As tais cartas de “vilões” e “missões” costumam ser bem piores para pontuar do que as dos outros baralhos, porém, no término da partida, dentre as 7 cartas que você possui em mãos você é obrigado que pelo menos uma delas seja deste tipo “ruim”, caso contrário, estará eliminado da partida.

Mas se por um lado ambos os jogos tornaram o Fantasy Realms levemente mais complexos, como se pode ver na imagem acima de cartas de Marvel: Remix, note que o texto das cartas diminuiu consideravelmente, e além disto, as classes (tipos) dos personagens passaram a ser representadas visualmente apenas por ícones. Esta mudança de conceito torna o jogo mais simples e direto para jogar, dando menos margem para dúvidas em regras. E exatamente a mesma coisa foi feita em Star Trek: Missions (com exceção das cartas do tipo “missão”, que possuem textos enormes e fazem de ST: Missions de longe a mais complexa dentre todas as versões de Fantasy Realms).

A melhor notícia de todas é que este novo conceito de simplificação visual também foi aplicado para Fantasy Realms: Deluxe Edition, um produto que vem com as 53 cartas iniciais + as 2 cartas promo + a expansão The Cursed Hoard + 100 sleeves premium, o que faz sobrar 3 deles pra reserva.

Veja pela imagem acima como as cartas em para Fantasy Realms: Deluxe Edition ficaram com um visual muito mais bonito, “limpo” e “direto ao ponto”. Para mim, estamos diante do formato definitivo do Fantasy Realms original, e sonho que um dia a Asmodee possa trazer esta versão para o Brasil.

E agora vem aí… Fantasy Realms: Greek Legends!

E por falar em “Asmodee trazer para o Brasil”, meses atrás em uma Live conjunta com o Covil dos Jogos ( https://www.youtube.com/watch?v=KyV8cVwX4RU ) foi anunciada a chegada para ainda este ano de Fantasy Realms: Greek Legends em nosso país.

Lançado no exterior no começo de 2026, trata-se de um jogo standalone, ou seja, que independe de qualquer outro jogo da franquia, e que aliás também não pode ser misturado com o Fantasy Realms original. Mas seria ele mais simples ou mais complexo que o jogo original de 2017? Melhor ou pior? É o que veremos a seguir.

Já começo trazendo a boa notícia que Fantasy Realms: Greek Legends tem o design gráfico mais simplificado (leia-se eficiente) e bonito da franquia até hoje, mostrando que o jogo continua de fato evoluindo e se aperfeiçoando. São 79 cartas (contra as 55 do nosso Fantasy Realms) e com outra simplificação muito bem vinda: ao invés dos tais dois baralhos distintos de compra existentes em Marvel: Remix e Star Trek: Missions, voltamos a ter só um!

Outro ponto positivo do jogo é que ele é bem temático. Não apenas as cartas trazem personagens e elementos da Mitologia Grega, como os efeitos associados a ela costumam fazer sentido dentro desta mitologia. Por exemplo: a carta “Musas” dá mais pontos combinando com cartas do tipo “Arte”, a carta “Labirinto” (sim, aquela do Minotauro), dá pontos combinando com cartas do tipo “Monstro”, e pontos negativos com cartas do tipo “Herói”. Note a vantagem temática que estes dois exemplos possuem em relação ao primeiro exemplo de pontuação de Fantasy Realms deste artigo: a carta “Montanha” dá mais pontos com as cartas “Incêndio” e “Fumaça”. Qual a lógica nisso? Só os designers do jogo podem responder essa…

Se tudo até agora caminhou para regras mais simples e intuitivas, por outro lado há dois fatores que podem aumentar a complexidade: o número de ícones presentes no jogo é considerável (são quase 30 tipos diferentes), e se não temos dois montes distintos para comprar novas cartas, a nova regra criada para Fantasy Realms: Greek Legends é que agora temos dois lugares para o descarte das mesmas…

Agora, além da área de descarte “comum”, que é aquela que dispara o final do jogo quando atingir 10 cartas, cada jogador tem uma área de descarte menor, exclusiva sua, que é a sua região do “Pós-Vida” (Afterlife). Cada carta colocada lá imediatamente te dá -10 pontos, mas por outro lado, vai ser levada em conta na pontuação final, como se estivesse na sua mão ao final da partida.

Em outras palavras, no final do jogo você potencialmente pode ter várias cartas a mais do que as 7 padrão para somar a pontuação final. E isso gera um pequeno problema, que é um maior trabalho para totalizar seu resultado. Um aplicativo para fazer isto ajudaria muito na questão, mas como Fantasy Realms: Greek Legends ainda é bem novo, por enquanto ele não existe. Note, entretanto, que colocar cartas no “Pós-Vida” não apenas é ação opcional, como também é necessário que a carta diga explicitamente que você pode colocá-la neste espaço. Portanto, na prática, o número de cartas colocadas no Afterlife é baixo.

Encerrando então este artigo respondendo as perguntas: Fantasy Realms: Greek Legends é mais simples ou complexo, melhor ou pior que Fantasy Realms? E as respostas são… não sei! Apenas após algumas partidas poderei sentir o impacto das novas regras e iconografia para cravar uma opinião. Mas sei que estou ansioso para que o jogo chegue logo em nossas mãos para eu poder formular uma resposta.

Tags: AsmodeeFantasy Realms
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Entusiasta dos Boardgames desde 2016, tenho como mecânica favorita a de Alocação de Trabalhadores... desde que o jogo não seja muito demorado! Ah, e Covileiro com muito orgulho!

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